Poderia já está acostumada, mas ainda me chocam atitudes e ações resultantes da ganância, falta de ética, da perversão e insanidades humanas.
Os meios de comunicação nos trazem a todo momento notícias que nos entristecem, nos aborrece ou nos puxa à reflexão.
três assuntos não saem de cena nos noticiários nacionais, o de maior enfase é o caso da menina Isabella, mais um triste fato de agressão e violência contra crianças; um caso de polícia de difícil solução, certamente ja se tomou proporções sensacionalistas pela máquina midiática.
Os outros dois assuntos são extremamente opostos, ao mesmo tempo em que se discute o aniversário de 50 anos da Bossa Nova, se discute 1968 (comemora?), os anos de repressão da ditadura militar e as músicas de protesto da época.
Tive minha primeira infância em plena ditadura - com aquelas fotinhas de colégio, com uma cara "não to entendendo porque tenho que tirar essa foto!", em uma mesa, com um livro aberto, ao lado do globo e com a bandeira nacional em nossas costas; ah, ainda tinha o hasteamento sagrado da bandeira, e eu que estudava à tarde, com o sol a pino, não tinha como escapar.
Acho que venho de uma geração que nos foi proibido pensar e falar.
A cada dia reluto contra essa ideia.
Hoje vejo uma juventude que idolatra ou sente uma nostálgica (?) de uma era na qual não viveu, e como disse Zuenir Ventura "no entanto não mais existe um motivo", ele fala da motivação política, das perseguições, das mortes, das torturas, da não liberdade.
Hoje os movimentos lutam pela justiça social.
Eu, em minha existência como cidadã e profissional, com minha pequena e enjoadiça, porém ainda existente, compreensão política, luto diariamente contra a indiferença que é nos imposta pelo sistema, procurando não me deixar seduzir pelo olhar vazio e passivo da exclusão vista nas ruas e nas relações, do comodismo da existência de uma cidade dúbia como Fortaleza.
Não gosto muito de radicalismos de posições e de muita racionalização, acho que nos cegam.
As vezes o sentir nos faz mais brandos em nossas falas e posturas, mais prudentes para conseguir enxergar o todo de forma mais plena.

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