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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Revolução Nada Silenciosa

A reportagem de capa da revista Veja edição 1.805 de 4 de junho, ''Sucesso na profissão'', me deixou muito preocupada, enquanto turismóloga, bem como associada à ABBTUR/CE - Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo. Senti extrema necessidade de socializar meu sentimento de inquietude com bacharéis, estudantes de turismo e amigos/professores da área, daí então esse desabafo. Sinceramente, me incomoda observar, sempre, que nós não somos, de uma forma ou de outra, ''valorizados''; valorizados enquanto categoria profissional (ou profissão), no setor que emprega milhares de trabalhadores, seja no mercado formal ou informal, que pode dá uma cara de desenvolvimento a tantas localidades que não possuem grandes dotes econômicos nos setores primário e secundário. Somos constantemente colocados em segundo plano, ou seja, em alguns projetos, o turismólogo entra como elemento integrador da equipe multidisciplinar e, (salvo raras exceções) não como gerenciador dessa equipe ou do processo ativo. Alguns podem até dizer: ''mas o profissional é que faz a diferença! Que deve buscar o seu espaço e seu reconhecimento...''. Não sei não, no andar da carruagem da competitividade profissional, das oscilações que movem outras categorias profissionais ou as mais reconhecidas pelo mercado profissional, nós é que temos que tomar algumas providências e precauções enquanto categoria profissional. Se, estamos organizados através de uma associação, temos mais é que nos reconhecer como profissionais imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade do turismo, não nos colocando como elementos integrantes e sim determinantes (nem que seja forçando legalmente e juridicamente em futuro próximo). Enviando institucionalmente, neste caso, carta-protesto, carta-reparativa, ou algo parecido, a revista Veja, que reuniu os dados para reportagem especial como um dos periódicos semanais mais lidos do País, e não enumerou o profissional de uma das áreas que mais gera emprego nesse País, o Turismólogo, e não colocando o curso de turismo como um dos vestibulares mais concorridos (será?), citando apenas, no decorrer da matéria, e reverenciando como exemplo (um bom exemplo, diga-se de passagem, na geração de emprego e renda) os números em que área do turismo proporciona na economia nacional e internacional, inclusive, agregando, textualmente, a atividade do turismo como oportunidade de trabalho para outras duas categorias profissionais. Na minha opinião não deveríamos ficar calados e apenas nos indagarmos nos silêncio: fomos novamente esquecidos..., Por quê? Embora possuindo caráter interdisciplinar, convenhamos, nós andamos perdendo muito espaço para a categoria profissional, tanto no campo profissional-operacional como em concursos. A referida reportagem nos mostra esse quadro. Desculpem, a alguns, o meu ceticismo. Mas algo precisa mudar, não sei como e nem quando, mas unidos em classe, nos tornaremos mais fortalecidos e reconhecidos. Acredito que com um Ministério apenas para o turismo, teremos um grande avanço no governo Lula, (será que não é nossa hora?). Tento fazer a minha parte, onde quer que esteja atuando como turismóloga, da nossa importância profissional, seja com qualquer pessoa em que dialogue, seja no trabalho ou no meu convívio social. Faz-se necessário saber quais os verdadeiros critérios utilizados pela revista Veja, onde aponta sua reportagem como um serviço útil para quem quer disputar um emprego e o ingresso no mercado de trabalho para jovens recém-formados. Na verdade, tudo isso merece um grande debate para sabermos o verdadeiro papel do turismólogo nessa disfarçada guerra de competências profissionais.

Evanir Morais é turismóloga, formada pela UNIFOR/1992, professora da UVA - Universidade Estadual Vale do Acaraú - e coordenadora do curso de Turismo da FLATED - Faculdade Latino Americana de Educação/CE.
publicado originalmente no Jornal O Povo, do Ceará, em 2 de junho de 2003.

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